Humboldt revista por Gerson Reichert Próxima Mostra

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Revista revisita pintura 

“Revista que se lê ao longe – que se visita aberta, que se ocupa com camadas de ação pictórica, que se adensa como novo rito de mergulho, leitura e registro. As revistas pintadas já não podem mais viver fechadas. Revista aberta - de dentro de si para lugares quaisquer, onde tudo é superfície que grita pintura”.

Carlos Asp, Abril de 2007.


Humboldt-Reichert

Gerson Reichert afirma com propriedade que as intervenções em pintura que ele realiza lançam um novo olhar sobre o agora objeto-revista Humboltd. A pintura revisa a revista. Ela revê a partir de sua linguagem a linguagem da revista, esgueirando-se pelo texto e pela imagem, se sobrepondo, como uma leitura que se constrói transformando o que vê pela frente.

O ato é de apropriação, de aproximação, mas também de barbárie. Um ataque à estrutura da revista, a sua integridade como objeto cultural – ainda que permaneça intocada sua qualidade de veículo. A pintura aqui é o selvagem descrente cuja única opção é profanar: ninguém rouba sua alma. Ela não sabe ler em outra língua que não a sua e sua linguagem é a ação.

Na história pessoal do artista esse ataque tem, no entanto, a força de uma deglutição, uma proposição de mão única que procura nessa confrontação revisitar seu passado: decifra-te ou devoro-te.

Mas a interferência do artista sobre a revista resulta numa forma de mediação (diálogo, como ele prefere). Para quem têm o privilégio de folhá-las, elas se mostram como um caderno de notas onde se potencializam qualidades: idéias apenas esboçadas são exarcebadas, encobertas, outras são simplesmente inventadas. O que permeia página a página além densidade da tinta, sua oleosidade, são as astúcias do artista.

Vale lembrar que a pintura precisa inventar um lugar para si, como um abrigo. O pintor usualmente o encontra num vazio qualquer que ele torna próprio e o organiza, ao modo da pintura. As intervenções de Gerson partem de um campo já semeado, convencional ao seu modo igualmente, mas que se abre e se desdobra. Por isso a abertura para o exercício, para a experimentação de idéias que poderão ou não ser aproveitadas em suas telas. A pintura em cada página aparece como uma adição de sentido que ao se cruzar desestabiliza ambos os lados: sua presença num espaço do texto, da ilustração e da legenda nos lembra que o sentido de ordem não existe sem a eminência do caos.

Apreciação de Flávio Gonçalves, julho de 2007.

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